segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Ventos do Norte

  Os Ventos do Norte - Graciosamente apelidados de Aurora Boreal pelo nosso querido astrônomo Galileu em homenagem à Deusa grega do amanhecer( Aurora, que pintava os céus com os dedos cor de rosa) e a Bóreas ( Bravio titã e senhor dos ventos do norte )
  Antes de discorrer o motivo pelo qual resolvi batizar meu blog com esse nome, vou falar um pouco destes deuses(até por que mitologia grega sempre me atraiu muito).
   Aurora(ou Eos para os romanos) era a deusa dos dedos cor de rosa(conforme descreve Homero em A Ilíada) assim sendo; sua principal função era abrir as portas do céu para o carro do Sol (conduzido por Apolo - O deus Sol), descerrando as pálpebras do dia. Todo o seu mito é um tecido de amores. A princípio, unida a Ares, provocou os ciúmes de Afrodite, que se vingou, inspirando-lhe uma paixão louca e eternamente insatisfeita por heróis e simples mortais. As deusas gregas sempre cediam aos seus caprichos.        
Bóreas(ou Aquilon para os romanos) personifica as forças elementares da natureza. O simbolismo do vento é complexo e se reveste de múltiplas facetas. de um lado, por sua própria agitação, figura a intabilidade, a inconstância, a vaidade. Tratando-se de uma força elementar, o vento é cego e violento. De outro lado, é sinônimo de sopro, do espírito, do influxo espiritual de origem divina(este último, mais facilmente personificado por Zéfiro, seu irmão).
   Finda a explicação mitológica, vamos ao fenômeno óptico tão comum nas regiõs polares do nosso planeta.
   Este fenômeno, um sublime espetáculo de luzes e cores, é na verdade um evento inerente ao campo visual, próprio do espaço polar de nosso Planeta, embora não se limite apenas à Terra, ocorrendo também em Júpiter, Saturno, Marte e Vênus. Ele acontece em virtude do choque produzido por partículas de vento solar no perímetro magnético terrestre. Geralmente estas luzes se manifestam nos períodos que vão de setembro a outubro e de março a abril. Apesar da beleza natural deste processo, ele pode ser igualmente reproduzido por meio de explosões nucleares ou em pesquisas laboratoriais. A Aurora Boreal pode se expressar de diversas formas – sob a aparência de pontos de luz, como faixas horizontais ou pequenos círculos luminosos -, embora estejam constantemente ajustados à linha do campo magnético do Planeta. Em vários momentos estas luzes se exprimem em diversas cores, simultaneamente. Em outros, elas compõem semicircunferências que se metamorfoseiam o tempo todo.
Apesar do espetáculo oferecido à visão pela Aurora Boreal, os ventos solares intervêm nos sistemas de comunicação terrestres e nos mais variados mecanismos eletrônicos criados pelo Homem, provocando grandes prejuízos à criação humana. Ao longo da história, cientistas e exploradores vêm se referindo a prováveis sons provocados por este fenômeno, embora ninguém nunca os tenha reconhecido, oficialmente, por serem ainda divergentes do conhecimento adquirido pela Humanidade. A Aurora Boreal é também muito presente na mitologia nórdica, que reserva a este evento belas páginas da literatura, passagens marcantes e poéticas que descrevem estas luzes como espíritos elevados ou estrelas com potencial destrutivo, e até mesmo a Bíblia se refere a este fenômeno em um trecho do Livro de Ezequiel. Atualmente, até mesmo o cinema tem protagonizado este espetáculo em suas telas, cativando platéias do mundo inteiro em filmes como Happy Feet. Ela também está presente na música, na poesia e nos jogos eletrônicos.
fonte: Infoescola 

   A aurora boreal pode aparecer em vários formatos: pontos luminosos, faixas no sentido horizontal ou circulares. Porém, aparecem sempre alinhados ao campo magnético terrestre. As cores podem variar muito como, por exemplo, vermelha, laranja, azul, verde e amarela. Muitas vezes aparecem em várias cores ao mesmo tempo.  Em momentos de tempestades solares, a Terra é atingida por grande quantidade de ventos solares. Nestes momentos as auroras são mais comuns. Porém, se por um lado somos agraciados com este lindo show de luzes da natureza, por outro somos prejudicados. Estes ventos solares interferem em meios de comunicação (sinais de televisão, radares, telefonia, satélites) e sistemas eletrônicos diversos.
  
   Tomei o fenômeno como título do blog em função da metáfora que eu associei ao analisar as fotos  deste lindíssimo show de cores e luzes circulares e assimétricas; Assim como a aurora boreal surge como um "fenda" no céu da atmosfera  terrestre, surgem as ideias geniais nos interstícios mais obscuros da mente humana aos quais o ser humano se refugia e se espreita em seus momentos de angústia e sofrimento, são recônditos da mente por vezes intransponíveis e sempre inóspitos, odeiam a presença de um pensamento, de modo que reúnem sua energia metafísica e transformam-na em um casulo. Como o sofrimento prolongado é quase um suicídio à mente e uma tortura à alma, tratamo-nos de livrar-se do casulo libertando a borboleta e dando asas às ideias que foram se acumulando no periodo de reclusão. Infelizmente, a dor nos leva a pensar. E na maioria das vezes que eu escrevo neste blog, estou com algum sentimento obscuro me apertando o coração e suprimindo minha massa encefálica(ironia ou não, um dos filhos de aurora chamava-se Céfalo - de cérebro - fruto de sua união com Hermes, o deus mensageiro conhecido por sua inteligência e sagacidade) o que acaba se transformando em uma dor de cabeça muito chata e inconveniente.

Ósculos e Amplexps,
J.












quarta-feira, 10 de agosto de 2011

  É impressionante a quantidade de verdades que se revelam no decurso do ócio inexorável. A maneira com que as coisas ficam claras quando não estamos com a cabeça cheia de preocupações e percalços presentes em nosso cotidiano.
  Completamente diferente da habitual rotina de acordar todos os dias no mesmo horário, com a mesma pressa, em direção ao mesmo destino, impotente às adversidades costumeiras(tais como transito, sono, preguiça...), com a inevitável indisposição de olhar na cara de pessoas que você quer ver longe, a desolação por não ter seu trabalho justamente reconhecido, a inocente convicção de que todos os problemas do mundo cairão em cima de você, e a certeza de que amanhã este ciclo recomeça.
  As pessoas precisam de um refúgio. Precisam de um tempinho pra elas dentro do mundinho particular delas uma vez que são impingidas a adentrar outros mundos paralelos mais exaustivos e mais agressivos que o seu próprio.
  Nos momentos de tensão, estresse, preocupação, deixamos de notar muitas coisas importantes que acontecem à nossa volta. Às vezes, a resposta é muito simples e sua clareza se deixa ofuscar por nossas perguntas que se agitam partículas de urânio e de nêutrons acelerados que rompem seu núcleo atômico em nosso cérebro que tornam nossas células instáveis e acabam gerando uma fissão nuclear dentro de nós. Traduzindo: Você fica louco! Sua cabeça dói dilaceradamente! O mundo vai se fechando dentro de sua cabeça reduzindo sua mente e suas ideias a poeira cósmica.
  Rejubilar-se em seu mundinho deveria ser um pecado pelo prazer que ele proporciona quando você se sente levitar dentro dele. Relaxar em sua superficie macia e cheirosa, como se não houvesse o ontem e o amanhã.
  Aproveitar cada minuto de prazer que não mais voltará, não apenas em seu mundinho, mas no mundo em que você aceita uma fusão com seu. Como rios que se encontram e desaguam em um único rio afluente. Criar pontes, de modo que em seu mundo só possa entrar quem for expressamente autorizado. Viver um momento intensamente como se de repente, toda a sua rotina estressante possa aparecer e te arrastar para sua realidade. 
  Não tenha prazeres intermitentes, faça com que eles perdurem, absorva a força revigorante que eles podem proporcionar, pois com tantos percalços no dia a dia, um momento prazeroso é tão raro quanto uma pérola negra. Não tenha medo de suas escolhas quando elas vêm de dentro do seu coração. Não se apegue ao passado, não precipite o futuro, apenas lembre-se de que no futuro, seu atual presente tornar-se-á um passado para o qual você não pode voltar e remoldar pois ele deveria ter sido moldado na época em que você se preocupou com o mundo dos outros e não com o seu...


Ósculos e Amplexos,
 


PS: A vida nada mais é do que a mais complexa das metáforas. A vida e suas situações são capazes de reproduzir infindável quantidade de metáforas, mas nenhuma metáfora tem a capacidade de reproduzir a vida e suas situações vividas diariamente.
 

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

As Faces da Hipocrisia

  *Um dia monótono. Um tempo irregular. Um céu escuro. Uma mente adstrita.*

Nota: Quando o ócio me atinge, o ato de escrever faz pensar-me que sou útil para alguma coisa...


  Quantas faces pode ter a hispocrisia?
  Existe algum tipo de simetria capaz de caracterizar-lhe as formas?
  Pensar a respeito da hipocrisia é como pensar a respeito de Deus(seja lá o que isso signifique); É sabido de Sua existência(de alguma maneira dentre tantas outras variantes), entretanto não se pode extrair da mente Sua imagem para registro cientifico. É uma imagem que se forma por meio de visões não ilustráveis e conceitos nada aplicáveis... Um mistério indefinível, uma incógnita fora da equação.
  Da mesma forma que a imagem de Deus varia de acordo com a influência de uma religião sobre a cabeça de um indivíduo, varia também a imagem da hipocrisia na cabeça de um indivíduo influenciado pela sociedade em que ele vive. A diferença consiste na manifestação desta influência pois a imagem de Deus(ou seja: a imagem que nós temos Dele em nosso âmago) se mostra de fora pra dentro ao passo que a hipocrisia se mostra de dentro pra fora.
  A religião e a hipocrisia estão intrinsecamente ligadas. Ambas são parte da herança socio-cultural que cada povo carrega. Por muitos anos a Igreja manipulou toda a massa social com suas regras estapafúrdias e conceitos depauperados, e por mais que a Igreja hoje em dia não exerça tamanha inflência na sociedade, a hipocrisia perdurou e todo mundo faz uso permanente dela para propósitos pessoais.
  A hipocrisia nada mais é do que o reflexo da sociedade em que vivemos. É um componente de nosso DNA cultural. 
  A sociedade a principio nos acolhe, nos abraça, nos deposita sua esperança e expectativa, e nos cria como soldadinhos indefesos. De repente nós crescemos, nós aprendemos, a verdade se revela, e as pessoas se rebelam. É neste exato momento que a mesma sociedade que nos acolheu anteriormente, nos chuta a pontapés de sua grande panela de mentes imbecis.
  A hipocrisia é, na verdade uma máscara camaleoa que sofre constantes metamorfoses(pense nela como se pensa na Mística - personagem de X-Men que muda suas formas e aparência sempre que lhe é conveniente) portanto ela tem um número incontável de faces.
   Quando despida, a máscara causa danos que por vezes são irreparáveis, pois o indivíduo se olha no espelho sem saber quem realmente é. Ele é tudo e não é ninguém. Faz parte de um perpétuo carnaval veneziano onde todos à sua volta estão como ele: Mascarados, ou seja são parte de um Todo mas não são ninguém pois não se diferenciam um do outro.
   No final das contas, todos nós somos um pouco hipócritas(por mais inaceitável que esta realidade seja)e fazemos parte de um todo que o senso comum involuntariamente generaliza. Nós jamais deixaremos de ser hipócritas aos olhos de um outro grupo social divergente do nosso(e igualmente hipócrita dentro de seu contexto social). Como podem os americanos por exemplo, condenar o regime fascista iraniano quando cometem atos igualmente atrozes(só que de outras formas) ao redor do mundo em defesa de seus interesses? Podemos citar a viciosa manutenção da hegemonia nas américas, que pela qual eles tentam controlar a economia latino-americana e suas políticas internas e promovem golpes de Estado. Isto, sem contar as barbaridades que vemos no Oriente Médio com a desculpa de "defender os direitos humanos dos árabes" como se o regime talibã e suas atrocidades estivessem tirando o sono deles.
   Para o ser humano, é muito mais dificil assumir a hipocrisia do que assumir um erro. Ninguém quer ser chamado de hipocrita pois é um título que fere demais o orgulho das pessoas. Assumir os erros representa um ato de dignidade, a despeito da hipocrisia que é indigna assumida ou escondida.

   Depois termino este texto, estou de saída...
   Ósculos e Amplexos
   J.

domingo, 31 de julho de 2011

Resiliência

  Resiliência:  
1. [Física]  Propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação. 
2. [Figurado]  Capacidade de superar, de recuperar de adversidades.



   Na prática, é força que se tem para sorrir quando se quer chorar. É a conformação em calar quando se necessita falar. É o poder de perdoar o imperdoável.  É o impulso de viver quando se quer morrer. É a representação de uma falsa indiferença para com uma atrocidade que está te matando. É você aceitar regras e conceitos que você despreza. A pergunta é: Isso te torna forte ou fraco? 

   Muitas vezes, uma personalidade forte pode tornar um indivíduo fraco de espírito e passível às adversidades, ao passo que o indivíduo forte de espírito aceita imperturbavelmente conceitos inaceitáveis, ordens mal dadas, e torna-se um bom defensor, porém sem qualquer força de opinião. Mas a verdade, é que o indivíduo forte de espírito muitas vezes se engana com a utopia onírica da paz interior, e por estar convencido da existência dela, torna-se alguém de caráter relevante, pois consegue mostrar-se insípido frente a tudo que há de errado a sua volta(e o pior: sempre com aquela expressão serena de monge tetraplégico que julga-se suficientemente sábio para fazer alguma coisa pelo mundo - numa cadeira de rodas). Por mais que seu caráter seja benevolente, é um caráter fraco e opaco.
   Por outro lado, o indivíduo fraco de espírito está sempre de mal com a vida por enfrentar um infinito duelo contra o maior de seus algozes: SI MESMO. É ele próprio quem se condena, quem se julga, quem se penaliza, e que sofre com as adversidades de um mundo que ele não pode controlar ou mudar. Pode até ser doentio, mas a força é prima da dignidade, e é válida vinda de toda e qualquer fonte.  O problema todo consiste em não sabermos a qual força devemos ater-nos... O ideal é sempre buscar o equilíbrio, mas nem sempre encontramos a felicidade através deste equilíbrio, pois quem nasce sem este equilíbrio e tenta buscá-lo vai, INEVITAVELMENTE, perder um pouco de si no caminho dessa busca. A menos que você tenha se tornado resiliente; isto é: Você reconheceu a sua impotência, mas não deixa que isso abale seus instintos, você continua lutando mesmo sabendo a dimensão da possibilidade da derrota.
   
   A pessoa resiliente é aquela que busca em si, as próprias fortalezas, é aquele que recorre à uma força interior capaz de reestabelecer seus alicerces sem que isso detenha seu ímpeto de enfrentar obstáculos.  
   Esta mesma pessoa, acaba adquirindo uma visão mais ampla e circunspecta de uma situação e portanto, obtém resultados favoráveis e esperados.
   A resiliência é uma capacidade raramente vista em pessoas jovens, pois estas são imaturas e só aprendem tomando porrada da vida( que é quem nos ensina a ser resiliente ).
Assim entendido, pode-se considerar que a resiliência é uma combinação de fatores que propiciam ao ser humano, condições para enfrentar e superar problemas e adversidades. São 7 fatores no total:(As definições abaixo, foram copiadas do wikipedia. Só para registro)

- Administração de Emoções

Refere-se em relação ao fator Administração das Emoções à habilidade de se manter sereno diante de uma situação de estresse. Ressalta que pessoas resilientes quanto a esse fator são capazes de utilizar as pistas que lêem nas outras pessoas para reorientar o comportamento, promovendo a auto regulação. Segundo esse autor, quando esta habilidade é rudimentar as pessoas encontram dificuldades em cultivar vínculos, e, com freqüência desgastam no âmbito emocional aqueles que quem convivem em família ou no trabalho.

- Controle dos Impulsos   

Um segundo fator é o Controle de Impulsos, que se refere à capacidade de regular a intensidade de seus impulsos no sistema muscular (nervos e músculos). É a aprendizagem de não se levar impulsivamente para a experiência de uma emoção. O autor explicita que as pessoas podem exercem um controle frouxo ou rígido do seu sistema muscular, sendo que esses sistemas estão vinculados à regulação da intensidade das emoções. Dessa forma, a pessoa poderá viver uma emoção de forma exacerbada ou inibida. O Controle de Impulso garante a auto-regulação dessas emoções, ou a possibilidade de dar a devida força à vivência de emoções.Tornando o grau de compreensão do autor mais sensivel e apurado mediante a situação.

- Otimismo

Um terceiro fator é Otimismo. Nesse fator ocorre na resiliência a crença de que as coisas podem mudar para melhor. Há um investimento contínuo de esperança e, por isso mesmo, a convicção da capacidade de controlar o destino da vida, mesmo quando o poder de decisão esteja fora das mãos.

- Análise do Ambiente

Um outro fator é a Análise do Ambiente. Trata-se da capacidade de identificar precisamente as causas dos problemas e das adversidades presente no ambiente. Essa possibilidade habilita a pessoa a se colocar em um lugar mais seguro, ao invés de se posicionar em situação de risco.

- Empatia

A Empatia é o quinto fator que constitui a Resiliência, significando a capacidade que o ser humano tem de compreender os estados psicológicos dos outros (emoções e sentimentos).

- Auto Eficácia

Auto Eficácia, é o sexto fator que se refere à convicção de ser eficaz nas ações proposta.

- Alcance de Pessoas

O sétimo e último fator constituinte da Resiliência é Alcançar Pessoas. É a capacidade que a pessoa tem de se vincular a outras pessoas para viabilizar soluções para intempéries da vida, sem receios e medo do fracasso.

  Ósculos e Amplexos,
  

domingo, 19 de junho de 2011

Perdas e Ganhos

 "Não queremos perder, nem deveríamos perder: saúde, pessoas, posição, dignidade ou confiança. Mas perder e ganhar faz parte do nosso processo de humanização" - Lya Luft


  Quem nunca sentiu o quão vulgar é a dor da perda de uma pessoa querida? Quem nunca lastimou o abandono por parte de alguém que ama? E ainda: Quem nunca obteve um GANHO através da PERDA e vice-versa?
  É  custoso explicar o vazio que sentimos quando descobrimos que algo com que estávamos acostumados simples e subitamente para de fazer parte do nosso dia a dia, bem como é extremamente doloroso perceber que uma certa pessoa que você gosta simplesmente vai deixar de ser parte da sua vida(pelo menos da maneira com que você estava acostumado a tê-la) e que o sentimento que você tem por ela(amor, carinho, amizade ou mesmo tesão)tornar-se-á um acumulo de boas lembranças e nada mais.  É difícil, é pungente, e por muitas vezes desnecessário, mas faz parte de um processo de crescimento e aprendizado. Afinal quem poderia dar valor à uma amizade sem nunca ter perdido um amigo? Como poderia, este alguém, ser capaz de imaginar a falta que este amigo faria? Como aprenderemos a valorizar os bons momentos enquanto os considerarmos eternos?
  Por vezes sentimos raiva, indignação, revolta entre outras coisas que jamais trarão de volta os momentos prazerosos nos foi proporcionado por algo ou por alguém (normalmente é por alguém), e por mais que tentemos fugir desta utopia, acabamos impelidos pelo nosso subconsciente a lutar para recuperar a "posse" daquilo que perdemos. Mas a verdade é que nós não possuímos nada nem ninguém! Não possuímos as pessoas e seus sentimentos. Aliás, não possuímos nem mesmo os nossos PRÓPRIOS sentimentos, são os sentimentos quem nos possui. São eles quem controlam nossos atos, que nos manipulam através de seus caprichos, que nos induzem a fazer coisas antes inaceitáveis, e que nos arremessam de um pico de prazer e jubilo ao infernal precipício da dor e do pesar. Ou seja: Fazem conosco o que bem entendem.
  A perda origina traumas e bloqueios que por vezes são irrevogáveis. Não somente a perda da presença física de pessoas queridas, mas a perda da confiança e da credibilidade que costumávamos depositar em outrém; Afinal, ninguém gosta de sofrer e todos temem que essa dor uma vez causada volte a nos torturar, e que o mal que ela nos causou volte a nos sodomizar; Este tipo de perda acaba nos tornando amargurados e eternos insatisfeitos, pois com muita frequência cria em nós uma máscara de felicidade por trás da tristeza, amor por trás da desconfiança, força por trás de fraqueza e por aí vai...Na verdade criamos um escudo contra oportunidades e pessoas bem intencionadas. Há também aquelas perdas que de alguma maneira nos fazem crescer e acabam por fazer com que nos conheçamos melhor, embora a dor seja inevitável.
  Porém, existe a perda injusta... Quando algo que lhe foi tomado de maneira covarde e vil. Quando isto acontece, o mais digno é lutar para ter de volta o que se perdeu. Sem sombra de dúvida. =)


Ósculos e Amplexos
  

A Volta

  Sei que este blog parece estar condenado ao abandono; E isto é verdade de certa forma, mas há uma explicação plausível. Eu sempre fui uma pessoa reservada que apenas se sente livre quando está escrevendo pois o ato de escrever é a única maneira que eu encontro para entender meus sentimentos mais racionalmente, e consequentemente entender a mim mesma. Só que a partir do momento em que exponho meus sentimentos rede afora, eu os estarei impingindo às pessoas de uma forma empírica que nem sempre é interessante para as pessoas que estão lendo. Por este motivo eu resolvi mudar um pouco a minha abordagem e escrever textos mais dissertativos. É obvio que haverá deslizes e eu vou acabar me envolvendo com o texto, mas farei o possível para que isso não aconteça.

Ósculos e Amplexos. =)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A psicologia do mal I

"Os males que não são percebidos são os mais perigosos" - Erasmo de Roterdão

Afinal... o que é o "mal"? Seria Deus censurando a Si próprio? Seria a natureza tendenciosa da humanidade? Em qual momento, na vida de um ser humano, o mal aflora? Existem parâmetros para a análise da maldade?

Antes de mais nada, devemos analisar os valores sócio-culturais, valores estes que são responsáveis pelas diretrizes de nossos pensamentos, que são os alicerces de nossas atitudes, que são significadores de nosso caráter, e parte da nossa persona. 

Não existe o mal desprovido de um fundamento. A análise deste mal vai variar de acordo com os valores sócio-culturais de quem o está analisando.

Deve-se considerar também os parâmetros adotados pelo homem contemporâneo [leia-se: hipócrita, humanista (...), livre... etc...]. Antigamente, toda e qualquer conclusão era sumariamente estóica, as coisas eram o quê eram. Hoje em dia as coisas são o quê são mas também podem ser outra coisa... Depois que Einstein divulgou sua teoria da relatividade, tudo passou a ser relativo. A relatividade virou um pretexto para as pessoas fugirem da realidade, camuflarem a verdade, e despirem-se da culpa que pesaria-lhes a consciência. Para tudo, temos a resposta: "mas isso é relativo."  NÃO! Certas coisas e feitos não são relativos, muito menos explicáveis! Nada obstante, é o fator sócio-cultural que analisa a gravidade destes feitos. 

A grande verdade do homem contemporâneo é que no decurso dos ultimos dois séculos, ele passou a reconhecer sua condição inferior perante a Deus(...), suas inúmeras fraquezas, suas limitações, e passou a aceitar tudo isso. De modo que os personagens "bonzinhos" épicos e filantrópicos tornaram-se obsoletos e "chatos" enquanto que os anti-heróis passaram a ser admirados e idolatrados por possuírem características humanas, falhas, e maior afinidade com a natureza do homem que é intensa, extremista, ética(...), perturbada, frágil, e principalmente: que coloca seus propósitos acima de tudo e de todos. Não sei se vocês vêem Dexter, mas ele é um perfeito exemplo do quê eu escrevi neste parágrafo... Ele é tido como um "herói" por muitos, e ele é um serial killer. 

Consideremos a psicologia de Dexter. Um menino de três anos, vê a mãe ser assassinada dentro de um contâiner em Miami, e mergulhado em seu sangue, presencia um ato de extrema maldade em uma idade incontestavelmente prematura. Passam-se os anos, e seu pai adotivo descobre essa tendência maléfica de Dexter, e passa a coordenar as atitudes de Dexter criando códigos de conduta, ou seja impondo condições e dando "licenças" para o filho matar. Este "código" consiste primeiramente em NUNCA MATAR UM INOCENTE, ou seja matar apenas os assassinos hediondos, estupradores, corruptos etc... Mas por quê Dexter é considerado um "herói" se ele mata as pessoas sem qualquer traço de arrependimento? Porque a tendência assassina de Dexter na verdade, reflete o que todo homem deseja: fazer o bem nascer do mal... Mas quê bem podemos extrair da morte de uma pessoa? A possibilidade de ela nunca mais fazer o que fez, ou alívio de expressar nossa indignação? Vai depender do ponto de vista, mas eu fico com a segunda opção(aqui sim, existe a relatividade). É comum o desejo itinerante de matar alguém, todo mundo um dia já sentiu esse desejo(remova o véu da hipocrisia, e reconheça que não estou falando nenhuma inverdade, por pior que isso possa parecer). Eu por exemplo, tive vontade de TORTURAR aquela garota croata que comprazia-se em afogar os cachorrinhos, no momento em que eu assistia aquele video que ela gravou cometendo esse ato de maldade. Eu chorei(chorei mesmo!) de ódio dela. O quê eu percebo com isso, é que todos nós justificamos um ato de maldade em cima de outro, e todos os males que cometemos recaem sobre o nosso instinto de fazer o bem prevalecer. Nós seres humanos, somos muito passionais, e frequentemente tomados pelo calor do momento. Devemos ter muito cuidado com isso por que a possibilidade de arrependimento é enorme. Deveras, não sei o quê aconteceria se eu encontrasse aquela croata durante a semana que decorreu depois de eu ter visto o video... Não sei o quê é tirar a vida de uma pessoa(e espero nunca saber), mas sei que ia querer bater MUITO nela. Talvez eu não a matasse, mas certamente eu a faria sofrer. Seria ainda mais certo, o meu remorso posterior(embora eu jamais duvidasse que ela fosse merecedora do mal que eu teria causado à ela.). Outro exemplo: O quê eu faria(Ai de mim!) se um cara torturasse minha mãe e depois a matasse? Eu o mataria se pudesse, ÓBVIO! Pelo simples fato de eu ser humana e passiva às emoções do momento. Seria uma maldade? Seria. Existiu um motivo? Existiu. Esse motivo justifica o ato? Não. Não existe relatividade na maldade. A maldade está presente no ser humano, não se pode negar isso, e ela apenas vem à tona quando temos sentimentos à flor da pele(seja este sentimento de medo, dor, raiva, vingança... Normalmente é um sentimento que nos incomoda...). 

Sejamos remetidos à Segunda Guerra Mundial, ao maior genocídio da História da humanidade. Não podemos atribuir todo mal deste assassinato em massa à Hitler. Afinal, quem é mais hediondo? Hitler, que tinha ciência da maldade que lho acometia, ou as marionetes por ele coordenadas no Terceiro Reich? Eu, mais uma vez, optaria pela segunda. Porque, acredito eu, que a maldade contida em Hitler era estratégica e não destrutiva(no que respeita a individualidade dele). Ele era perverso, mas não era burro! Muniu suas armadas militares com néscios ignorantes que serviam ao seu propósito, e que a despeito dele próprio, tinham o prazer em matar(com as próprias mãos). Hitler não devia ter o prazer de matar, o tinham aqueles que a mando dele, realizaram aqueles atos tão desumanos. Hitler era a perversidade insípida e indiferente, aquela que implantava a semente do mal nas pessoas fracas e permanecia incólume aos efeitos que esses crimes causavam no eu psicológico de quem os executava, assim sua maldade permanecia estática e livre de qualquer culpa, uma vez que ele próprio não via as pessoas agonizando, sofrendo e sendo torturadas em suas mãos. Hitler era perverso, mas não era um facínora, o eram os componentes de sua patente que o endeusavam, e que eram capazes de admirar a atrocidade de sua política... Estes são crueis e burros(a pior combinação destrutiva de todas que alicerçam a maldade) além de fanáticos inexoráveis. Foi provado que a rigidez, a precisão, e a conivência para com a ordem de um superior, é uma característica do povo germânico. Não lhes importa o que estão fazendo, desde que estejam seguindo ordens. Isso é bom e ruim, vai depender de quem os está comandando. No entanto, podemos observar a maldade vigente pois eles não se compadeciam dos pobres seres que molestavam, pior que isso: apraziam-se em torturá-los. Quando Hitler plantou a semente do mal nesses dejetos humanos, ele sabia que a partir daquele momento não seria responsável pelo desenvolvimento dela(semente), que unida ao contingente de maldade já presente no portador, iria evoluir e tornar-se-ia destrutiva... Uma pessoa "boa" não deixaria que essa semente evoluísse, ainda que o porte dela se lhe fosse impingido. Muitos germânicos discordavam dessa política e fugiram buscando asilo. Ou seja: Não há justificativa cultural.

Mas esse contingente de maldade já existia ou foi desenvolvido ao longo da vida da pessoa de acordo com suas experiências?

Continua no próximo post...  
Ósculos e Amplexos,
J.

 
 


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Se...

*Um post rápido, uma vida efêmera, uma manhã de céu nublado... *

Hoje eu acordei pensando: Como seria nossa vida se tivéssemos o poder de mudar o passado? É incrível como ÍNFIMOS atos têm o poder de mudar sua vida para sempre sem que você perceba. E quando recordamos deste vil momento, surge a pergunta que nos assombrará até o fim de nossos dias: "E se eu tivesse agido diferente?". São esses pequenos atos que traçam nosso destino, e que têm o poder dar um rumo diferente no decurso de nossas vidas. Nós seres humanos temos poderes inefáveis de que não tiramos proveito. Nós temos o livre-arbítrio, temos poder sobre o nosso destino. Este poder de ser independente de uma "força maior" não é de todo ruim, mas também não é completamente bom, pois nos torna responsáveis não só pelo nosso sucesso, mas também pelo nosso fracasso. E nós, na condição de seres humanos, com 90% de cérebro animal inutilizado, acometidos pelo egoísmo natural e inerente, tendemos a errar na maioria das vezes. Os erros na verdade, são etapas do amadurecimento e muitas vezes são irreparáveis, como é o caso de ex-colega meu de ensino médio, que teve uma morte trágica e precoce na madrugada de domingo(24/10). Fico pensando nas conjeturas com as quais os pais dele devem estar se atormentando(lembro de tê-los conhecido, era uma família de pessoas de bem - algo de que eu me orgulho:a facilidade que eu tenho em saber o caráter das pessoas ao primeiro contato.) "E se eu tivesse ido com ele?", "E se eu estivesse dirigindo?", "E se eu não tivesse dado o carro pra ele?"... Este "SE" vai acompanhá-los para sempre, porque é natural tendencioso as pessoas se culparem pelo mal que acometeu-se sobre alguém que elas amam pelo simples fato de achar que esse "poder" de escolher os próprios caminhos, também vale para com o das pessoas queridas, de modo que elas irão sempre achar que poderiam ter interferido de alguma maneira com o mais simples dos atos... "Filho, deixa que eu vou te buscar...", "Filho, não saia de carro hoje.", "Querido, vou esconder a chave do seu carro porque sei que vc vai beber.". É inevitável que as pessoas se martirizem com essa dúvida porque elas se comprazem ao imaginar que a pessoa querida ainda estaria entre elas, e que tudo poderia ter sido diferente... É um tipo de resiliência, e por mais fortes que as pessoas sejam, o vazio deixado pela perda jamais será preenchido. 


A vida é deveras muito frágil, todo e qualquer segundo vivido é uma possibilidade de morrer. Todo o ar que vc inspira, tem 50% de chance de ser o último caso vc opte por entrar em uma câmara de gás(sem saber que está se dirigindo à uma, evidentemente.) ao invés de seguir a estrada de tijolos amarelos que levaria Dorothy de volta para a casa. Dorothy foi esperta em querer voltar pra casa, imagine viver da imaginação pelo resto da vida? Bem, haveria o bônus e o ônus... Ou não... Há fortes controvérsias.

Vou reeditar este post depois, por hora eu tenho que ir trabalhar(duvido que eu tenha saco de voltar a escrever depois de perder o fio da meada...enfim).

Ósculos e amplexos a todos!
J.